terça-feira, 7 de novembro de 2017

Um conto? Uma resenha? Ou uma autocrítica: o que a leitura despretensiosa pode suscitar em mim.

Olá, amigo (a) internauta!

Como eu já comentei em outras postagens em 2015 criei a minha jornada literária anual. Contudo, mantenho outras leituras paralelas, pois necessito delas para subsidiar os demais projetos meus. 

Num dia qualquer do mês passado dei mais uma das minhas costumeiras passadas pelas estantes da biblioteca do pública do meu bairro. De súbito, topei com a seguinte obra: Acordais: fundamentos teóricos-poético da arte de contar histórias de Regina Machado, Editora DCL, 2004. 

Além do título chamativo e intrigante recordei-me que, coincidentemente, também tenho recebido a alcunha de contador de histórias de amigos e conhecidos nos últimos tempos. Decidi emprestar esta obra sem vacilar.

Outra expectativa era a de extrair deste livro não só algo de bom para o desenvolvimento da minha escrita, mas também se havia alguma mensagem divina contida nele. Tal qual uma internet "divina" ele poderia ser mais um daqueles livros enviados pelas mãos do imponderável para mim.

O livro é simplesmente impressionante e ainda estou impactado com uma das histórias contidas nele. Aliás, durante um bate-papo com uma das bibliotecárias da biblioteca onde emprestei a obra, me relembrei de um evento real, cujo enredo quase se confunde com o que havia lido.

Dessa forma, decidir escrever sobre esta coincidência e não sei o que surgirá aqui. Parece-me que ambas as histórias possuem pontos parecidos, porém com morais distintas. A do livro poderia ser vista pela ótica da sustentabilidade enquanto a da realidade um reflexo da sociedade de consumo que não respeita mais a Natureza.

Uma das histórias narradas neste livro é a do marceneiro chinês. Seu trabalho era admirável e o seu rei foi procurá-lo para desvendar  a magia empregada na confecção de suas peças extraordinárias.

Contudo, o marceneiro explicou ao monarca que seu trabalho consistia apenas empregar todos os conhecimentos que ele aprendera com os seus mestres. 

Primeiramente, antes de sair com o seu machado afiado em direção à floresta, ele meditava. Dessa forma, ele reunia as suas forças interiores.   

Quando finalmente o marceneiro topava com a árvore certa, antes de tombá-la ele pronunciava para ela as seguintes palavras: o que eu tenho para você e o que você tem para mim?

Quanto à minha história ela não aconteceu  diretamente comigo e sim com um parente de uma família  de amigos e ex-vizinhos que conheço desde a minha infância.  

Certa vez, os meus ex-vizinhos acima citados me convidaram para comemoração qualquer. Tudo corria bem e o clima estava animadíssimo. Mas a aparição de uns parentes dos anfitriões espantou o clima festivo.

O que me incomodou não foi a transformação física das crianças ou o casal estar com a cabeleira mais branca. Ou o aumento da família por meio dos respectivos namorados ou namoradas. E sim o pai ter virado um cadeirante e bem magro.

Depois de cumprimentá-los de forma protocolar e tentando esconder o meu constrangimento com a chegada deles. Na primeira oportunidade que tive procurei discretamente uma das minhas ex-vizinhas que tenho mais afinidade em busca de informações. 

De acordo com a minha amiga aqueles primos dela haviam mudado para outra cidade, pois o cadeirante havia sido contratado como lenhador por uma empresa de reflorestamento pertencente a uma empresa de papel e celulose.

Num dia qualquer de trabalho o primo da minha amiga e a sua equipe haviam tombado mais uma árvore como de costume. Missão cumprida, todos se preparavam para se dirigir para outro ponto do horto. 

Creio que só uma imagem poética poderá ajudá-lo a imaginar a próxima cena. Só que ninguém havia visto que com a derrubada havia formado uma lasca dela tensionada como um arco.

De súbito,aquilo partiu e voou tal qual uma flecha em direção ao grupo. E não é que ela  acabou acertando em cheio a coluna vertebral do primo da minha interlocutora! A ponto de deixá-lo de cadeira de rodas.

Desde então, esta história tem circulado na minha mente. Até hoje desconfio que aquilo havia sido um revide da Natureza. Como se árvore dissesse: "homens cruéis, vocês me tombaram, mas "a minha vingança será maligna". 

Mas, no presente diante de tudo que aprendi sobre autoconhecimento, entendo que terei que direcionar a busca de respostas para dentro de mim. Já que os sentimentos sempre partem de mim e não do externo. 

Hoje cogito que minha perplexidade parece ser oposta a do rei curioso da narração. Digo isto, pois o soberano foi procurar o marceneiro, pois estava imbuído de admiração pelo excelente trabalho executado pelo seu súdito.

No meu caso a minha abordagem parece estar motivado pelo medo. Também suspeito que o sentido tem conotação oposta ao do livro:  descobrir quem fez aquela magia que desencadeou aquela tragédia?

Dito de outra forma, talvez naquela época eu ainda estivesse sob a influência do arquétipo do lenhador vingativo. Um mestre, porém dotado de grandes energias negativas e insanas.

Seria talvez um recado indireto do imponderável para mim? Ou seja, tenho que me cuidar, pois corro o risco de também não sair impune? Há alguém mais esperto do que eu? Talvez estas questões surgiram na minha mente abalada.

Ou seja, agora vejo que existe a lógica do lenhador chinês e do outro que não tem mais a presença tanto antes quanto depois do produto final. 

O processo de escrita também me traz outra questão: será que a história contida naquele livro tenha me revelado o arquétipo correto que é o chamarei de lenhador extraordinário? Talvez possa ser tudo balela o que acabo de escrever aqui.

Sei que esta postagem começou por um caminho e que no meio dele acabou desviando para outro. Mas, sinto que consegui de alguma forma colocar um pouco de luz numa questão de suma importância para a minha vida.

Por fim, amigo internauta, você é um daqueles que já viveu alguma história parecida com a minha?



sábado, 28 de outubro de 2017

Outro texto para "esquentar" o II Sarau da Superação em Mogi Guaçu, SP, dia 01/11/17.

Olá, amigo(a) internauta!




Volto aqui mais uma vez com o intuito de "esquentar" o II Sarau da Superação que será realizado no próximo dia 01/11/17, na Biblioteca Municipal João XXIII, na cidade de Mogi Guaçu, SP, a partir das 14 h.


Abaixo seguem trechos do meu diário pessoal onde citei os primeiros sintomas do ex-tumor. Recentemente conversei comigo mesmo e decidi expô-los aqui. Talvez eles podem trazer algum significado para alguém.

Sei que muitas coisas sobre o ex-tumor se perdeu, pois na época eu ainda não levava o meu diário com seriedade. Mas, tudo faz parte do meu enredo vitorioso.

Conto com a sua presença no II Sarau, caso você more na região de Mogi Guaçu.

Boa leitura e fique e deixe o seu comentário, se assim desejar. Também sugiro que procure o Facebook da Biblioteca Municipal João XXIII de Mogi Guaçu para dar um "like". 



Relato do dia 04 de outubro de 2011

São 19 h e estou no infocentro. A temperatura baixou um pouco e o céu ficou bem nublado durante quase todo o dia. (...) Sai de casa agasalhado. Na rádio escutei a informação de que as linhas do Metrô superfíciais estavam mais lentas que as subterrâneas.

Marchei por inúmeras ruas, avenidas, etc. Quando eu estava perto da padoca que costumo frequentar naquela região, avistei uma feira. Mas decidi não comer pastel, pois ontem à noite, eu havia comido uma coxinha frita. Finda essa refeição matinal tranquilamente, pois eu havia saído cedo de casa. 

Na saída da padoca fui em direção à banca do jornal que está localizada num canto da entrada deste estabelecimento comercial. Ali como de costume olhei as manchetes do dia por um tempo qualquer.

Quando cheguei na entrada principal da unidade básica de saúde, fiz o que uma atendente havia me orientado a fazer na última vez que estive lá: pegar uma senha de papel.

Em seguida procurei um cadeira para sentar e aguardar para ser chamado pelo letreiro eletrônico.

Não demorou muito uma atendente chamou o meu número. Imediatamente me levantei. Só que uma senhora meio gágá que já havia sido atendida por outra colega, cortou a minha frente e começou a falar a mesma coisa que ela falou para a outra atendente. Só fiquei de olho, pois sabia que a outra funcionária foi em busca de informações. 

Não sei se a mulher estava equivocada ou faltava um parafuso, ela dizia que estava com uma consulta marcada com um médico. Mas nos cartões apresentados por ela não constava nenhum registro desse fato.

Na primeira pausa falei para a atendente que a outra colega dela já havia atendido àquela senhora. Em seguida, apresentei a minha guia e o meu cartão de saúde para a atendente.

Aí a minha interlocutora me questionou se eu já havido sido atendido lá? Eu respondi sim. Apesar de agora me lembrar de que é mentira, pois eu já fui atendido lá quando outra vez dor no meu estômago havia aumentado.

Após um tempo qualquer a moça me orientou a sentar novamente no mesmo local, pois eu seria chamado por outro rapaz que estava do lado. 

Como a distância entre as cadeiras e a mesas dos atendentes era pequena, escutei quando o rapaz, que estava com um "notebook" aberto, abordou outro paciente vizinho e anunciou que fazia uma pesquisa.

Quando o entrevistador me abordou, ele perguntou a minha idade. Depois de que forma eu havia chegado até lá, qual era a minha escolaridade e  qual era a minha profissão.

Depois que havia digitado os dados que forneci, o entrevistador me apontou um outro corredor que daria acesso a outra sala onde eu deveria esperar para ser chamado por outro funcionário novamente.

Eu me certifiquei com o meu interlocutor aonde eu deveria ir antes de me levantar. Quando olhei para a direção apontada, avistei uma televisão de tela plana ligada. Era naquele local que eu aguardaria mais um pouco.

Caminhei até lá. Depois sentei numa primeira cadeira. Mas depois mudei rapidamente para outra onde era mais iluminada, pois ela ficava de frente a uma sala que estava aberta. 

Ali havia algumas enfermeiras e atendentes estavam organizando os preparativos para as  coletas de exames. Um deles pelo que eu vi era para oftalmologista. 

De súbito, um senhor que havia chegado acompanhado por uma garota, acompanhou-a se dirigiram direto para uma das salas. Lá uma atendente pingou um colírio nos olhos da moça.

De repente, uma atendente me chamou. Fui em sua direção, porém ela me pediu para eu esperar no mesmo local onde eu estava, pois não havia local para eu sentar na antessala do médico. 

Então aproveitei para retomar a leitura do meu livro. Aliás, foi uma das coisas bem acertadas que fiz. Já que a leitura dele é difícil. Este é um tipo de livro que merece todo o cuidado e perseverança, do contrário posso até em desistir dele.

Algum tempo depois fui chamado novamente pela mesma atendente, só que desta vez fui conduzido para outro corredor. Lá ela pediu para eu sentar numa das cadeiras e aguardar. Ainda me tranquilizou dizendo que o médico me chamaria. Eu estava cercado de outros pacientes.

O médico atendeu alguns pacientes antes de chegar a minha vez. Uma atendente saiu de uma sala bem a minha frente e disse o nome do médico. E em seguida anunciou ao médico que o procedimento estava pronto e que ele poderia utilizar aquela sala. Vi na porta uma placa indicativa da sala de cirurgia.

O médico se dirigiu para lá e só saiu cerca de 15 depois. Quanto a mim mantive firme na leitura do meu livro e também fiz uma limpeza na minha mochila. Assim, organizei a minhas coisas para não carregar tanto peso.

Quando o médico retornou ao seu consultório atendeu mais dois pacientes antes de me chamar.

Quando entrei no consultório, o médico me perguntou o que acontecia. Expliquei tudo sobre o que estava acontecendo. O especialista ainda me perguntou se eu havia tido outros sintomas. Descrevi tudo o que podia a ele.

O médico me advertiu que se eu fosse fazer um exame de endoscopia pela prefeitura demoraria um ano em média. Ou, então, eu procuraria um centro médico  particular, lá os exames seriam feito rapidamente.

Eu respondia ao médico que eu faria os exames numa clínica particular, pois senão os meus pais não me perdoariam. Além disso, os preços que o médico havia me passado sobre a média desses exames aqui em Sampa é muito mais barato do que no Interior.

Na última conversa telefônica que travei com a minha mãe, ela me disse que lá no Interior que o preço cobrado por uma endoscopia era  de R$ 400,00. Em segredo, me lembrei durante a conversa com o médico que a minha mãe até já havia me depositado esta quantia em minha conta bancária.

Conclui que eu teria que ser responsável comigo mesmo para não sofrer. Ainda comentei para o médico que um ano é muito tempo. Ele concordou comigo e me alertou para o fato de que passei dos 40 anos, então não é bom empurrar a questão.

(...) Só que quando retornei ao balcão para agendar o retorno da consulta, à atendente em tom ríspido me informou que só dia 06/10 que seria aberto os agendamentos. E que a previsão de retorno seria em dezembro e não em 40 dias conforme o meu médico havia solicitado na minha guia. 

Vale ressaltar que esta mesma criatura foi a mesma que havia me negado a possibilidade de encaixar a minha consulta para mais cedo. O pior é que vem a minha mente que algumas pessoas disseram sim para uma coisa e ela disse não depois. Que coisa. Espero que limpem esta criatura do meu caminho, caso ela seja uma criatura maligna.


Relato do dia 21 de junho de 2011.

São 19h03 e estou no infocentro. A sala tem que sete usuários. Mas está calma. Não em os pirralhos. Acho que por causa do frio os pais não deixam os menores saírem. Olho pela porta de vidro e vejo que a noite já assumiu o seu posto.

A temperatura esta até elevada se comparada ao mesmo período da semana passada.

Eu estava acordado quando disparou o alarme do meu celular. Não tenho dormido direito esses tempos. Já até falei aqui que um dos problemas é a aquela dor no estômago. 



Relato do dia 12 de junho de 2011.

São 15h26 e estou na biblioteca do centro cultural. No começo do último relato registrei que eu não conseguia ouvir a Carmina Burana. Bem, então como é domingo a internet está mais fluída, consegui o que eu desejava.

Lá fora ainda tem um pouco de sol de inverno. Mas isso ajudou a atenuar o frio que tem feito nesses dias. Tem poucos usuários aqui dentro. Não passam de meia dúzia entre crianças e adultos. 

Acordei no mesmo horário de costume da semana. Se não é a dificuldade de dormir e aquela dor de estômago chata que aparece bem de madrugada para me perturbar.


Por último, se você, caro internauta, passou dos 40 e sente dores estranhas no teu estômago, não demore para procurar o seu médico.
Apesar da má fama e do desprezo que muitos nutrem pelo SUS, não tenho o que reclamar dos tratamentos que tenho tido lá até agora. Esta superação só foi possível graça qualidade técnica e profissional dos profissionais tanto do Hospital das Clínicas da USP São Paulo quanto do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).


Carlos Pinheiro.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um texto para esquentar o II Sarau da Superação na Biblioteca João XXIII, dia 01/11/17, Mogi Guaçu - SP.

Olá, amigo (a) internauta!

Esta semana ao (re)mexer nas minhas coisas encontrei um texto meu que havia escrito para um sarau que fiz para um dos meus aniversários. Senti que ele estava dentro da proposta dos saraus da superação que tenho feito. Então, decidi reescrevê-lo e postá-lo aqui.

Ainda, pensei nele como uma espécie de "esquenta" para o II Sarau da Superação que acontecerá na Biblioteca João XXIII na cidade de Mogi Guaçu, dia 01/11/17, às 14 h. 

Gratidão e boa leitura.


Carlos Pinheiro


Gratidão

Nos últimos tempos, gratidão foi uma das palavras que mais ganhou significado em minha vida. E isso aconteceu por intermédio da dor. De repente, tive que puxar o freio de mão, me render, refletir e reforjar Excalibur.

No passado eu entendia que gratidão era uma forma educada de agradecer alguém ou por um favor recebido ou por ter sido presenteado num aniversário qualquer. Ou quando alguém me oferecia para passar na frente na fila do caixa do mercado por eu ter poucos itens na minha na mão.

Hoje entendo que ela também é de suma importância na minha espiritualidade. Os motivos estavam debaixo do meu nariz e bastava um pouco de paciência para enxergá-los. E que a Vida, apesar de tudo, tem sido generosa comigo.

Um deles foi à morte repentina do meu velho amigo, o Zé. Ironia do destino ou não a sua partida aconteceu na semana em que ele realizaria o seu sonho de juventude: o de fazer a cirurgia na bacia que lhe permitiria andar sem mancar. De súbito, numa manhã qualquer sua mãe o encontrou gelado na cama. 

Enquanto que na minha situação da descoberta até a cirurgia estomacal, propriamente dita, durou menos de seis meses.

Outro ponto foi o de reconhecer que todos os momentos da Vida são preciosos e únicos. Não tenho que ficar preso na crença de que um dia lá no futuro, numa linha de chegada qualquer encontrarei o tal “pote de ouro” que vai remover todos os ferimentos e dores da minha árdua caminhadura etc, etc e tal.

Também me lembrei da minha tia materna a Jacira que teve a perna amputada em 2015 e faleceu no início deste. Acho que pela primeira vez poderei dizer algo verdadeiro sobre o que penso sobre a situação dela: agradecer e aquietar.

Constato que já passei tantas coisas na minha Vida e passarei muito mais. E tudo isso fará com que eu conheça mais profundamente o verdadeiro sentido da Gratidão.

Outra coisa que me vem à mente é sobre o sarau dos meus 45 anos (este evento aconteceu em 2015), que ele também é uma forma de praticar a gratidão.  E, por isso, ele merece todo o meu apoio e dedicação.

Sinto que a gratidão tem me pacificado e me orientado nas encruzilhadas. Agora sigo renovado e motivado retomo de forma amorosa a minha “santa guerra”, portando ou uma Excalibur reforjada ou uma espada superior.

Por último, gratidão por você fazer parte da minha vida.


Carlos Pinheiro




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

II Sarau da Superação - 01/11/17 - Mogi Guaçu - SP

Olá, amigo (a) internauta!


Para comemorar 05 anos livre de um tumor estomacal decidi praticar novamente a gratidão por meio do II Sarau da Superação.

Ele será um mais momento para trabalharmos  poeticamente nossos, nossos sentimentos, nossos medos, nossos problemas e nossas emoções humanas diante dos desafios da vida.

Local: Biblioteca Municipal João XXIII – Centro Cultural. Mogi Guaçu, São Paulo.

Endereço: Avenida dos Trabalhadores, 2.651.

Data: 01/11/17.

Horário: a partir das 14h.


Traga seus poemas, ou qualquer outra forma de expressão artística e cultural que você pratique.




Gratidão por espalhar este convite também em suas redes sociais, assim como demais redes de difusão.


Carlos Pinheiro.

www.facebook.com/bibliotecamogiguacu




quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Como tem sido a minha jornada literária russa e outras leituras em andamento

Olá, internauta!

Nesta postagem vou compartilhar com você o desenvolvimento da minha Jornada deste ano que é dedicada a literatura russa. Como muitos internautas podem cair aqui pela primeira vez esclarecerei em poucas palavras sobre o que estou falando.

Desde menino sempre fui leitor razoável. Na época da faculdade eu me dediquei mais a leitura de obras das disciplinas. Até 03 anos atrás eu escolhia um livro de forma aleatória, ou por alguma indicação ou por intermédio do imponderável. Isto é, para mim muitos livros chegam até mim por alguma vontade superior.

Quando eu falo Jornada, eu me refiro a resposta de um questionamento pessoal para arrojar, somar ou não o meu hábito de leitura. Aliás, a mudança para Sampa, sem dúvida, favoreceu o meu acesso ao livro. Hoje, basta eu andar algumas quadras da minha casa para entrar em uma biblioteca pública.

Ainda, o tempo gasto nos longos trajetos dentro do transporte público também se tornou uma boa oportunidade de leitura. Dessa forma, evito ficar estressado aguardando aquele farol eterno abrir. Ou então, ficar horas e horas esperando para a ser atendido nos centros médicos que frequento.

Vale destacar ainda que desde o final da faculdade o hábito de assistir televisão também foi perdendo importância que tinha na minha vida. Nessa época havia quebrado o único aparelho de televisão da moradia estudantil. E eu estava economizando para pagar os encargos da minha formatura. Após um tempo qualquer notei que eu não havia perdido nada com esta decisão. 

Suspeito que devo ter sido influenciado por algum exemplo positivo de alguém que tivesse organizado por critérios a sua leitura. E isso deve ter saltado da minha memória quanto tive vontade de dar mais propósitos ao meu hábito de leitura. A minha conclusão foi que isso poderia me ajudar em muitas coisas lá na frente.

Tal qual as duas primeiras edições, a atual também está sendo muito prazerosa. Ainda, também tem me revelado algumas complementaridades com a sociedade brasileira. Lamento o fato do preconceito político ter encoberto uma olhar sobre esta nação, seu povo e sua Cultura. 

Não podemos esquecer que tanto a Rússia quanto o Brasil são países com dimensões continentais. Então, não é difícil imaginar que, historicamente, ambas as nações sempre tiveram e terão desafios na gestão dos seus vastos territórios. Também possuem uma grande diversidade étnica.

Se de um lado a Rússia foi um objeto de obsessão no projeto napoleônico. Do outro, o Brasil serviu de refúgio da Corôa Portuguesa contras estas pretensões. Ambos os países não foram mais o mesmo depois de Napoleão. No Brasil isso causou inúmeras transformações sócio-políticas e econômicas que culminaram na independência.

Falta indicar que ainda não li nada sobre as questões ambientais russas. Por exemplo, se nós temos a Amazônia, lá tem a Sibéria. Se temos o rio mais volumoso do Mundo, os russos possuem o maior e mais profundo lago de água doce do mundo, o Baikal. Suspeito que esses santuários são bastante impactados pela ação humana. 

Aliás, outra coisa que tem me chamado a atenção é a pouca divulgação do centenário da Revolução Russa. Independente do que aconteceu depois, não há como negar de que ele foi um evento marcante do século passado. E alguns dos seus ecos são sentidos até os dias atuais. Será que depois de cem anos depois o cenário geopolítico se alterou?

Um destaque desta edição é o fato de eu ter lido alguns livros de teatro tais como: O Percevejo de Maiakóvski, As irmãs de Tchekov, A Tempestade de Ostrovski. Tal feito tem me feito questionar se eu sou capaz de também escrever peças de teatros. É talvez seja algo que poderei para, sentar em frente a tela de um computador e começar a digitar.

Um dos aprendizados que facilitaram o andamento da leitura foi compreender que quando uma mulher russa se casa, o sobrenome do seu marido recebe um acréscimo do artigo feminino a. Dessa forma, a personagem título de livro de Dostoiévski se chama Anna Kariênina e não Anna Kariênin. Da mesma forma, a mulher do autor desta obra assinava Dostoievskaia.

Se na França antes da Revolução Francesa havia os sem culotes. Na Rússia Imperial havia os mujiques. Este último era composto basicamente por trabalhadores rurais, camponeses que possuem ou não o domínio da terra. Os mujiques por viverem em condições de extrema pobreza e servidão também tiveram um importante papel no processo revolucionário.

Do total de 23 lidos até agora, 10 foram romances e peças de teatro. Sendo 02 sobre a história russa e 1 sobre política. O meu livro de cabeceira é o Dr Jivago de Boris Pasternak, um livro que exigirá duas leituras. Como não estabeleci uma meta de quantidade para ser lida até dezembro vou lendo com calma. Para mim o importante é a qualidade e os significados que esta metodologia particular de leitura tem trazido para mim. 

Aliás, esta Jornada, diferentemente das antecessoras, será estendida por meio de outro projeto que estou modelando para o ano que vem. É algo, diria meio maluco, porém sinto que poderá dar um bom caldo.

Por último, conclamo a você que procure a saber mais sobre a literatura russa. Não vá atrás pensando que é "mamão com açúcar, pois não é". Eu mesmo já tenho comigo que se eu não entendi a obra na primeira leitura, faço uma segunda leitura na sequência. Ainda, não se esqueça que em 2018 desenvolverei um projeto que envolverá a literatura russa. 

Gratidão pela visita, pela divulgação deste blog, pelos comentários, pelas sugestões e pelas críticas.

Carlos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pequeno Registro da 19 ª Edição da Festa Julina na Casa dos Meus Pais

Olá, amigos (as) internautas!

Esta nova postagem é um complemento daquela derivada da minha leitura do livro da escritora argentina Selva Almada. As fotos foram batidas por mim e são da última edição da festa julina na casa dos meus pais.



Quando por curiosidade me questionei por qual motivo esta festa existe, primeiramente, me vieram lembranças de um outro fato desagradável ocorrido na minha família. E avançando na minha prospecção espiritual encontrei várias evidências de que havia uma intersecção entre os eventos.



Caríssimos, nos últimos tempos algumas pessoas tem se referido a mim como um bom contador de história. Então, aproveitando esse adjetivo vou tentar desenvolver mais uma. 


Primeiro passo sugiro que, se puder, você relaxe o seu corpo na sua cadeira. Segundo, deixe a tua mente levá-lo imaginariamente para uma cidade do Interior Paulista que você conheça. É claro que quem ou conhece ou reside em uma tira esse exercício de letra. 


Terceiro, no seu cenário não pode faltar uma casa localizada quase debaixo da copa de uma paineira centenária. Por último que exista também um grande quintal de chão batido onde parte dele é feito um arraial coberto de lona.



Tudo começou quando o meu irmão caçula foi submetido a uma intervenção cirúrgica ocular. E meu pai também havia feito uma promessa para os santos gêmeos Cosme e Damião. Dessa forma, por um período de 07 anos tivemos essa festa.



Se a festa de Cosme e Damião é diurna, a junina em geral é noturna. Mas ambas as comemorações exigem um intenso processo de preparação de comes e bebes açucarados. Nestas datas a minha casa ficava repleta de gente.


Até que um dia a promessa foi cumprida, eu e meus irmãos já tínhamos tomado cada um o seu rumo. Dessa forma, nós sentimos a necessidade de criar outro momento de confraternização além das festas de final de ano. Daí veio a ideia de fazermos uma festa junina. Desconfio que fui eu quem sugeri este formato.



O projeto foi aprovado por unanimidade. Também lembro-me que por receio a primeira edição da festa não contou com estranhos. Contudo, não houve uma adesão ao projeto, decidimos prosseguir com o evento, porém aberto ao público. 


Desde então, contamos com apoio de amigos, conhecidos, desconhecidos para fazer este momento de confraternização. Sem este voluntarismo incondicional não faríamos nada, pois uma festa deste porte dá trabalho.



Não serei arrogante ao afirmar que esta festa já faz parte do calendário de muita gente. Agora, até o convite é desnecessário. O evento se propaga também com o apoio dos recursos criados por esta era digital, informacional, etc.


Suspeito que tanto eu quanto meus familiares respeitamos a ação do imponderável agir. Dito de outra maneira: não perturbe o processo poético da vontade de Deus. Só isso pode explicar alguns movimentos assombrosos como este que narrarei a seguir. 


Bem, ligando o era uma vez, eu estava recebendo os convidados na entrada principal da casa. De súbito, olhei para o início da avenida da casa dos meus pais a avenida. Ali esta via é mal iluminada, o que permitiu acontecer algo parecido com aqueles efeitos cinematográficos em que seres humanos e inumamos parecem ter emergidos de algum portal mágico.



Fiquei surpreso com a marcha de um casal de noivos perfeitamente caracterizados vindo em minha direção. Demorei um tempo qualquer para sair daquele estupor. Chamou-me à atenção a segurança daqueles  personagens circulando pela noite. 


A noiva era uma senhora loira de estatura mediana e o seu par era um rapaz moreno. Tão sereno quanto o mordomo do Bruce Wayne, o Alfred dei as boas vinda àquela dupla. E pedi para que ficassem à vontade naquele arraial.



Até agora me intriga o que pode ter motivado para aquele casal como aquele aparecer numa festa junina trajados de noivos? Imaginou se já tivéssemos um primeiro casal ali? Bem, uma situação possível. 



No ano passado numa outra festa topei com a "noiva". Na verdade ela, orgulhosa do seu feito, fez questão de se apresentar como tal. Ainda, estava esperançosa com a possibilidade de eu ter fotos daquelas festa, pois o "noivo" havia morrido. E vejam só ela nunca se casou na vida. Infelizmente tive que dar a triste notícia de que naquele ano eu estava sem câmera fotográfica.


Quem me conhece ao vivo, deve ter me reconhecido na última foto da primeira postagem "abençoando" um dos vários casais que "trocaram alianças" no arraial. Tive que assumir o posto do padre na última hora. O conhecido que costumava desempenhar este papel havia furado naquela noite. 



Como sou o artista mais atirado da família, sempre sou incumbido de "pegar este tipo de bucha". Contudo, me surpreendi, com o meu bom desempenho como ator. Fui bem elogiado pela audiência que riu bastante das minhas sacadas.




Neste ano houve outro avanço no espirito da festa, pois digo para todos que tivemos uma "transquadrilha" ou a quadrilha da diversidade. Isso mesmo, pois tivemos um casal LGBT. Como até o início o posto de noivos estava vago e  na ponta da fila estava um casal trans, decretei que eles seriam os noivos.
  

Ouvi uns burburinhos do tipo ui ui ui! Contudo, como na minha família não hostilizamos e nem segregamos os convidados, os ânimos baixaram. E o importante foi que o pessoal dançou bastante a transquadrilha, como as fotos mostram e sempre respeitando a diversidade.


Fiquei perplexo ao notar no final da minha meditação de como uma simples promessa religiosas pode ter me "atingido" e também alguns dos meus irmãos a trabalharmos com povo, por meio de organização de festas e de saraus. 



Mas, quanto ao fato de eu ser contador de histórias talvez seja assunto para outra postagem. Aí terei que falar da suspeita de que sou um descendente de quilombola por parte de pai, por exemplo. Um assunto que estou lendo sobre a legislação diz sobre quem é ou não quilombola.

Gratidão tanto pela visualização, pela divulgação, pelos comentários, pela torcida, pelas críticas, pela adesão etc.


domingo, 20 de agosto de 2017

I Sarau da Superação na Biblioteca Pública Municipal Camila Cerqueira César

Olá, amigo(a)s internautas!



Nesta postagem você verá um pequeno registro fotográfico de alguns momentos do I Sarau da Superação que ministrei na Biblioteca Pública Municipal Camila Cerqueira César localizada no Jardim Bonfiglioli. 

Agradeço a coordenação e também os funcionários da Camila, como é carinhosamente tratada pelos seus frequentadores.




Tivemos uma tarde poética extraordinária. 



Não posso deixar de comentar que o espaço recebeu um belo banho de reforma. 




Na foto acima o meu amigo Alexandre nos surpreendeu com a leitura de um poema de um primo dele que faleceu de câncer e que reproduzo no final.



Dois dos meus sobrinhos pequenos fizeram um dueto. Infelizmente, esqueci o nome da música executada. Contudo, foi muita fofurice poética.


Quando você entra neste ambiente infantil dá a sensação extraordinária de ter sido transplantado para aqueles cenários de filmes como a Fantástica Fábrica de Chocolates.


Ainda farei outras edições deste sarau ainda este ano com este intuito de gratidão. Quem sabe em 2018 o intuito seja outro?



Erguer os Olhos
                            Rodrigo Elias (15/11/1979 - 05/07/2008)

O mais difícil é erguer os olhos
Longas e memoráveis tardes
Maravilhosos e despreocupados verões
Em que olhava extasiado para cima
Contando e recontando nuvens e estrelas
Hoje,
O mais difícil é erguer os olhos
Prostrado no chão, sôfrego
Mover-se dói, até as pálpebras ardem
As lembranças deviam trazer conforto,
Mas só rememoram a incerteza do futuro
Sinto o vento no rosto, quero enxergar de onde vem esse alívio
O mais difícil é erguer os olhos
Queixo-me da fraqueza humana
(Permitam ao menos que divida minha fraqueza,
Há outros, não esqueço, que também sofrem)
E meu olhar continua pesando em direção aos pés
Procuro ouro que não existe entre a terra negra dos meus dedos
O mais difícil é erguer os olhos
Não consigo mais mentir
Por muitas vezes quis fechá-los totalmente
Entregar-me a escuridão
Esquecer, ser esquecido
O que me mantém, percebi, está no alto
O mais difícil é erguer os olhos
Não é um grande esforço, não exige músculos,
Só é necessário se desprender de certos preconceitos
Abandonar a rebeldia imatura, se desfazer de falsas certezas
O que mais pesa é admitir o orgulho, saber que estive errado.
O mais difícil é erguer os olhos,
Mas vale a pena.




Abraços poéticos, virtuais e ambientais.

Carlos.