quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Como tem sido a minha jornada literária russa e outras leituras em andamento

Olá, internauta!

Nesta postagem vou compartilhar com você o desenvolvimento da minha Jornada deste ano que é dedicada a literatura russa. Como muitos internautas podem cair aqui pela primeira vez esclarecerei em poucas palavras sobre o que estou falando.

Desde menino sempre fui leitor razoável. Na época da faculdade eu me dediquei mais a leitura de obras das disciplinas. Até 03 anos atrás eu escolhia um livro de forma aleatória, ou por alguma indicação ou por intermédio do imponderável. Isto é, para mim muitos livros chegam até mim por alguma vontade superior.

Quando eu falo Jornada, eu me refiro a resposta de um questionamento pessoal para arrojar, somar ou não o meu hábito de leitura. Aliás, a mudança para Sampa, sem dúvida, favoreceu o meu acesso ao livro. Hoje, basta eu andar algumas quadras da minha casa para entrar em uma biblioteca pública.

Ainda, o tempo gasto nos longos trajetos dentro do transporte público também se tornou uma boa oportunidade de leitura. Dessa forma, evito ficar estressado aguardando aquele farol eterno abrir. Ou então, ficar horas e horas esperando para a ser atendido nos centros médicos que frequento.

Vale destacar ainda que desde o final da faculdade o hábito de assistir televisão também foi perdendo importância que tinha na minha vida. Nessa época havia quebrado o único aparelho de televisão da moradia estudantil. E eu estava economizando para pagar os encargos da minha formatura. Após um tempo qualquer notei que eu não havia perdido nada com esta decisão. 

Suspeito que devo ter sido influenciado por algum exemplo positivo de alguém que tivesse organizado por critérios a sua leitura. E isso deve ter saltado da minha memória quanto tive vontade de dar mais propósitos ao meu hábito de leitura. A minha conclusão foi que isso poderia me ajudar em muitas coisas lá na frente.

Tal qual as duas primeiras edições, a atual também está sendo muito prazerosa. Ainda, também tem me revelado algumas complementaridades com a sociedade brasileira. Lamento o fato do preconceito político ter encoberto uma olhar sobre esta nação, seu povo e sua Cultura. 

Não podemos esquecer que tanto a Rússia quanto o Brasil são países com dimensões continentais. Então, não é difícil imaginar que, historicamente, ambas as nações sempre tiveram e terão desafios na gestão dos seus vastos territórios. Também possuem uma grande diversidade étnica.

Se de um lado a Rússia foi um objeto de obsessão no projeto napoleônico. Do outro, o Brasil serviu de refúgio da Corôa Portuguesa contras estas pretensões. Ambos os países não foram mais o mesmo depois de Napoleão. No Brasil isso causou inúmeras transformações sócio-políticas e econômicas que culminaram na independência.

Falta indicar que ainda não li nada sobre as questões ambientais russas. Por exemplo, se nós temos a Amazônia, lá tem a Sibéria. Se temos o rio mais volumoso do Mundo, os russos possuem o maior e mais profundo lago de água doce do mundo, o Baikal. Suspeito que esses santuários são bastante impactados pela ação humana. 

Aliás, outra coisa que tem me chamado a atenção é a pouca divulgação do centenário da Revolução Russa. Independente do que aconteceu depois, não há como negar de que ele foi um evento marcante do século passado. E alguns dos seus ecos são sentidos até os dias atuais. Será que depois de cem anos depois o cenário geopolítico se alterou?

Um destaque desta edição é o fato de eu ter lido alguns livros de teatro tais como: O Percevejo de Maiakóvski, As irmãs de Tchekov, A Tempestade de Ostrovski. Tal feito tem me feito questionar se eu sou capaz de também escrever peças de teatros. É talvez seja algo que poderei para, sentar em frente a tela de um computador e começar a digitar.

Um dos aprendizados que facilitaram o andamento da leitura foi compreender que quando uma mulher russa se casa, o sobrenome do seu marido recebe um acréscimo do artigo feminino a. Dessa forma, a personagem título de livro de Dostoiévski se chama Anna Kariênina e não Anna Kariênin. Da mesma forma, a mulher do autor desta obra assinava Dostoievskaia.

Se na França antes da Revolução Francesa havia os sem culotes. Na Rússia Imperial havia os mujiques. Este último era composto basicamente por trabalhadores rurais, camponeses que possuem ou não o domínio da terra. Os mujiques por viverem em condições de extrema pobreza e servidão também tiveram um importante papel no processo revolucionário.

Do total de 23 lidos até agora, 10 foram romances e peças de teatro. Sendo 02 sobre a história russa e 1 sobre política. O meu livro de cabeceira é o Dr Jivago de Boris Pasternak, um livro que exigirá duas leituras. Como não estabeleci uma meta de quantidade para ser lida até dezembro vou lendo com calma. Para mim o importante é a qualidade e os significados que esta metodologia particular de leitura tem trazido para mim. 

Aliás, esta Jornada, diferentemente das antecessoras, será estendida por meio de outro projeto que estou modelando para o ano que vem. É algo, diria meio maluco, porém sinto que poderá dar um bom caldo.

Por último, conclamo a você que procure a saber mais sobre a literatura russa. Não vá atrás pensando que é "mamão com açúcar, pois não é". Eu mesmo já tenho comigo que se eu não entendi a obra na primeira leitura, faço uma segunda leitura na sequência. Ainda, não se esqueça que em 2018 desenvolverei um projeto que envolverá a literatura russa. 

Gratidão pela visita, pela divulgação deste blog, pelos comentários, pelas sugestões e pelas críticas.

Carlos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pequeno Registro da 19 ª Edição da Festa Julina na Casa dos Meus Pais

Olá, amigos (as) internautas!

Esta nova postagem é um complemento daquela derivada da minha leitura do livro da escritora argentina Selva Almada. As fotos foram batidas por mim e são da última edição da festa julina na casa dos meus pais.



Quando por curiosidade me questionei por qual motivo esta festa existe, primeiramente, me vieram lembranças de um outro fato desagradável ocorrido na minha família. E avançando na minha prospecção espiritual encontrei várias evidências de que havia uma intersecção entre os eventos.



Caríssimos, nos últimos tempos algumas pessoas tem se referido a mim como um bom contador de história. Então, aproveitando esse adjetivo vou tentar desenvolver mais uma. 


Primeiro passo sugiro que, se puder, você relaxe o seu corpo na sua cadeira. Segundo, deixe a tua mente levá-lo imaginariamente para uma cidade do Interior Paulista que você conheça. É claro que quem ou conhece ou reside em uma tira esse exercício de letra. 


Terceiro, no seu cenário não pode faltar uma casa localizada quase debaixo da copa de uma paineira centenária. Por último que exista também um grande quintal de chão batido onde parte dele é feito um arraial coberto de lona.



Tudo começou quando o meu irmão caçula foi submetido a uma intervenção cirúrgica ocular. E meu pai também havia feito uma promessa para os santos gêmeos Cosme e Damião. Dessa forma, por um período de 07 anos tivemos essa festa.



Se a festa de Cosme e Damião é diurna, a junina em geral é noturna. Mas ambas as comemorações exigem um intenso processo de preparação de comes e bebes açucarados. Nestas datas a minha casa ficava repleta de gente.


Até que um dia a promessa foi cumprida, eu e meus irmãos já tínhamos tomado cada um o seu rumo. Dessa forma, nós sentimos a necessidade de criar outro momento de confraternização além das festas de final de ano. Daí veio a ideia de fazermos uma festa junina. Desconfio que fui eu quem sugeri este formato.



O projeto foi aprovado por unanimidade. Também lembro-me que por receio a primeira edição da festa não contou com estranhos. Contudo, não houve uma adesão ao projeto, decidimos prosseguir com o evento, porém aberto ao público. 


Desde então, contamos com apoio de amigos, conhecidos, desconhecidos para fazer este momento de confraternização. Sem este voluntarismo incondicional não faríamos nada, pois uma festa deste porte dá trabalho.



Não serei arrogante ao afirmar que esta festa já faz parte do calendário de muita gente. Agora, até o convite é desnecessário. O evento se propaga também com o apoio dos recursos criados por esta era digital, informacional, etc.


Suspeito que tanto eu quanto meus familiares respeitamos a ação do imponderável agir. Dito de outra maneira: não perturbe o processo poético da vontade de Deus. Só isso pode explicar alguns movimentos assombrosos como este que narrarei a seguir. 


Bem, ligando o era uma vez, eu estava recebendo os convidados na entrada principal da casa. De súbito, olhei para o início da avenida da casa dos meus pais a avenida. Ali esta via é mal iluminada, o que permitiu acontecer algo parecido com aqueles efeitos cinematográficos em que seres humanos e inumamos parecem ter emergidos de algum portal mágico.



Fiquei surpreso com a marcha de um casal de noivos perfeitamente caracterizados vindo em minha direção. Demorei um tempo qualquer para sair daquele estupor. Chamou-me à atenção a segurança daqueles  personagens circulando pela noite. 


A noiva era uma senhora loira de estatura mediana e o seu par era um rapaz moreno. Tão sereno quanto o mordomo do Bruce Wayne, o Alfred dei as boas vinda àquela dupla. E pedi para que ficassem à vontade naquele arraial.



Até agora me intriga o que pode ter motivado para aquele casal como aquele aparecer numa festa junina trajados de noivos? Imaginou se já tivéssemos um primeiro casal ali? Bem, uma situação possível. 



No ano passado numa outra festa topei com a "noiva". Na verdade ela, orgulhosa do seu feito, fez questão de se apresentar como tal. Ainda, estava esperançosa com a possibilidade de eu ter fotos daquelas festa, pois o "noivo" havia morrido. E vejam só ela nunca se casou na vida. Infelizmente tive que dar a triste notícia de que naquele ano eu estava sem câmera fotográfica.


Quem me conhece ao vivo, deve ter me reconhecido na última foto da primeira postagem "abençoando" um dos vários casais que "trocaram alianças" no arraial. Tive que assumir o posto do padre na última hora. O conhecido que costumava desempenhar este papel havia furado naquela noite. 



Como sou o artista mais atirado da família, sempre sou incumbido de "pegar este tipo de bucha". Contudo, me surpreendi, com o meu bom desempenho como ator. Fui bem elogiado pela audiência que riu bastante das minhas sacadas.




Neste ano houve outro avanço no espirito da festa, pois digo para todos que tivemos uma "transquadrilha" ou a quadrilha da diversidade. Isso mesmo, pois tivemos um casal LGBT. Como até o início o posto de noivos estava vago e  na ponta da fila estava um casal trans, decretei que eles seriam os noivos.
  

Ouvi uns burburinhos do tipo ui ui ui! Contudo, como na minha família não hostilizamos e nem segregamos os convidados, os ânimos baixaram. E o importante foi que o pessoal dançou bastante a transquadrilha, como as fotos mostram e sempre respeitando a diversidade.


Fiquei perplexo ao notar no final da minha meditação de como uma simples promessa religiosas pode ter me "atingido" e também alguns dos meus irmãos a trabalharmos com povo, por meio de organização de festas e de saraus. 



Mas, quanto ao fato de eu ser contador de histórias talvez seja assunto para outra postagem. Aí terei que falar da suspeita de que sou um descendente de quilombola por parte de pai, por exemplo. Um assunto que estou lendo sobre a legislação diz sobre quem é ou não quilombola.

Gratidão tanto pela visualização, pela divulgação, pelos comentários, pela torcida, pelas críticas, pela adesão etc.


domingo, 20 de agosto de 2017

I Sarau da Superação na Biblioteca Pública Municipal Camila Cerqueira César

Olá, amigo(a)s internautas!



Nesta postagem você verá um pequeno registro fotográfico de alguns momentos do I Sarau da Superação que ministrei na Biblioteca Pública Municipal Camila Cerqueira César localizada no Jardim Bonfiglioli. 

Agradeço a coordenação e também os funcionários da Camila, como é carinhosamente tratada pelos seus frequentadores.




Tivemos uma tarde poética extraordinária. 



Não posso deixar de comentar que o espaço recebeu um belo banho de reforma. 




Na foto acima o meu amigo Alexandre nos surpreendeu com a leitura de um poema de um primo dele que faleceu de câncer e que reproduzo no final.



Dois dos meus sobrinhos pequenos fizeram um dueto. Infelizmente, esqueci o nome da música executada. Contudo, foi muita fofurice poética.


Quando você entra neste ambiente infantil dá a sensação extraordinária de ter sido transplantado para aqueles cenários de filmes como a Fantástica Fábrica de Chocolates.


Ainda farei outras edições deste sarau ainda este ano com este intuito de gratidão. Quem sabe em 2018 o intuito seja outro?



Erguer os Olhos
                            Rodrigo Elias (15/11/1979 - 05/07/2008)

O mais difícil é erguer os olhos
Longas e memoráveis tardes
Maravilhosos e despreocupados verões
Em que olhava extasiado para cima
Contando e recontando nuvens e estrelas
Hoje,
O mais difícil é erguer os olhos
Prostrado no chão, sôfrego
Mover-se dói, até as pálpebras ardem
As lembranças deviam trazer conforto,
Mas só rememoram a incerteza do futuro
Sinto o vento no rosto, quero enxergar de onde vem esse alívio
O mais difícil é erguer os olhos
Queixo-me da fraqueza humana
(Permitam ao menos que divida minha fraqueza,
Há outros, não esqueço, que também sofrem)
E meu olhar continua pesando em direção aos pés
Procuro ouro que não existe entre a terra negra dos meus dedos
O mais difícil é erguer os olhos
Não consigo mais mentir
Por muitas vezes quis fechá-los totalmente
Entregar-me a escuridão
Esquecer, ser esquecido
O que me mantém, percebi, está no alto
O mais difícil é erguer os olhos
Não é um grande esforço, não exige músculos,
Só é necessário se desprender de certos preconceitos
Abandonar a rebeldia imatura, se desfazer de falsas certezas
O que mais pesa é admitir o orgulho, saber que estive errado.
O mais difícil é erguer os olhos,
Mas vale a pena.




Abraços poéticos, virtuais e ambientais.

Carlos.




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sarau Ambiental na ETEC Guaracy Silveira - 2017

Olá, amigos(as) internautas!

Quero compartilhar com vocês um registro fotográfico do Sarau Ambiental que ministrei na ETEC Guaracy Silveira em Pinheiros no dia 06/06/17, homenageando o Dia Mundial do Meio Ambiente.


Na verdade aconteceram dois saraus, sendo um no período vespertino e outro no noturno.




Esta atividade me proporcionou grande aprendizado e satisfação. 


Compartilhei vários assuntos transversais à questão ambiental que colhi ao longo dos anos. E os alunos também puderam falar, opinar e comentar sobre o que eles já sabiam de cada tema.


Foi um desafio e tanto fazer este sarau onde a Arte conversa com a Natureza e vice-versa. Houve até um caso que um aluno rabiscou um poema resposta para um poema de Carlos Drummond de Andrade contra a extração de minério de ferro em Itabira em Minas Gerais.


Fica aqui a minha gratidão a coordenação do curso de meio ambiente e ao seu corpo docente por terem me proporcionado essas duas aulas.


Para mim fica cada vez mais evidente que Poesia e meio ambiente tem tudo a ver. 


Até mesmo num curso técnico de meio ambiente.




Volte outro dia para ver as fotos do Sarau da Superação que farei dia 12/08/17 na Biblioteca Camila Cerqueira Cesar localizada na Rua Waldemar Sanches, 41, Jardim Bonfiglioli, das 13 h às 16 h. Mais informações em post abaixo. Se puder compareça e divulgue-o em seus contatos virtuais.

https://pt-br.facebook.com/bibliotecacamila/#

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Resenha baseada no livro A Mãe de Máximo Gorki, Editora Expressão Popular. Conforme orientações do prefaciador Frei Betto.

A barra pesou desta vez concluiu, melancolicamente, Maria uma quilombola acima de 50 anos, estatura mediana, sofre de escoliose e seus cabelos brancos fazem aparecer mais velha do que é. Cabisbaixa, seus olhos marejados estão fixos em seus dedos que seguram um velho rosário.

Aquela aflição parece não ter fim, Maria medita sobre aquele grande mal que estava rodando a sua vida há tempos. A demora aflige a cada segundo o seu coração materno. Um fio de esperança a amarrou naquele sofá e não a deixará ela não saber da verdade... com seus próprios olhos.

Escondida em algum ponto da sua alma, uma dor lancinante se lambuza com mais uma rodada de desgraça que aportou na vida de sua dona. Outra parte do inconsciente de Maria insiste em rememorar alguns acontecimentos. E nas passagens mais dura outra carga de lágrima é liberada. 
                                                                                                Maria sabe recorrer ao seu coração para obter a resposta. Mas primeira ela tenta pacificar a sua mente inquieta que que exige dela o próximo passo? Do outro lado o celular vibra com a chegada de mais uma mensagem de amigos querendo saber como tudo acabou.

Maria, seus filhos e seus familiares sempre viveram numa cidade do Interior Paulista. Desde criança ela ouve dizer que seus familiares paternos descendem de ex-escravos na região. Dessa forma, aquela terra onde ela vive tem sido passada de geração a geração da sua família.

Maria  e sua geração não recebeu a devida Educação que lhe permitisse compreender de forma mais ampla o seu papel como mulher, negra, afrocaipira, agricultora, cidadã, etc. Até que o destino decidiu que ela teria que fazer um intensivão disso sem comunicar-lhe.

O atual prefeito municipal se considera um homem prático, determinado e quer cumprir uma de suas promessas eleitoreiras: construir mais moradias populares. Diga-se de passagem, uma atitude altruísta tendo em vista o descaso histórico em relação à moradia no Brasil é crônico. 

Maria desconhecia o significado do termo divisão de classes. Ela, como a maioria dos brasileiros, entende que o voto como algo que se encerra no dia da eleição. Agora ela sabe que esse comportamento permitiu que aquela realidade fosse criada.

Em décadas pretéritas o governo local iniciou um processo de desapropriação de pequenas propriedades rurais para construir casas populares na periferia da cidade. Época em que a cidade aderiu à industrialização. Concomitantemente, a elite elabora o seu plano de segregação espacial.

E, como a demanda por moradia era aguda ninguém reclamou ou entendeu este movimento. Além do mais para o pobre o mais importante era conseguir a sua casinha para começar ou recomeçar a sua vida. Dessa foma, o projeto habitacional segregador avançou sem nenhuma resistência. 

Mas, o certo é que anos depois a estratégia habitacional provocou a desarticulação de parte da rede de produção de hortifrutigranjeiros da cidade. Consequentemente aumento o caro o custo de vida dos mais pobre. Tal atitude num País sério isso seria considerado um crime.

Só que a modernidade com seu um mantra entorpecedor: o consumo insustentável. Dessa forma, o cidadão ou consumidor não questiona a gama de impactos ambientais como: os lixões, os aterros controlados que também acirram a disputa pela terra.

Nessa situação seria esperado que a questão fundiária fosse questionada. Só que como já dissemos acima, a estrutura política brasileira protege os latifúndios. O que faz com que a sociedade apoie o frouxamento da legislação ambiental e questione os quilombos como o de Maria.

E havia um bom motivo para isso ter acontecido. O espertinho do prefeito local não quer saber de perder o seu Caixa 2 e outros benefícios que os "Grandes" sempre lhe ofereceu por manter a ordem social e territorial igual aos tempos de Abrantes.

Maria jamais poderia imaginar que um dia as áreas de proteção ambiental, de quilombos e de aldeias indígenas sofreriam um retrocesso político neste início do século 21. Estes extratos fundiários agora sofrem assédio intenso por pressão de cima para baixo.

Agora Maria compreende por qual razão o reconhecimento do seu quilombo empacou. A elite local não quer enterrar os planos de apropriação do seu pedaço. E para piorar este assunto é muito obscuro na nossa legislação. Qualquer iniciativa neste sentido pode ser algo hercúleo e angustiante.

Marino, seu filho mais velho e advogado havia se lançado nessa arena por ser um idealista. Ele foi um dos poucos do quilombo que avançou nos seus estudos. E num dia em que estava meditando uma voz incorpórea lhe avisou que a urbanização tomaria o seu amado lar.

A partir desse dia ele enfrentou tanto a resistência familiar quanto a social quando entrou no Largo do São Francisco. De onde voltou formado e finalmente fazer o trabalho que o Governo tem evitado há séculos. Para que nunca mais seus descendentes sejam maltratados por poderosos.

Infelizmente foi a dor que abriu os olhos dos parentes de Marino para o perigo. Antes, cheios de soberba sabotaram o trabalho de Marino. Sempre rebatiam a outra perspectiva com um frágil e velho mantra de que eles não seriam perturbados, pois pagavam os impostos. 

Para o advogado descendente de quilombola seria necessário ousar em termos espirituais. Falando mais claramente: rever uma característica indolente e danosa herdada: superar a incompetência familiar de gestão de bens. Já que aquela terra ainda era devoluta. 

Aceitar a saída do seu filho "rebelde" da barra da sua saia não foi fácil para esta senhora. Mas, o que pesou favoravelmente em apoiar esta questão foi um velho remorso. Mesmo sabendo que seria execrada pelos seus parentes, Maria decidiu que fosse feito a vontade de Deus.

O outro fato que deu respaldo para que Maria apoiasse o filho era algo íntimo. Quando jovem Maria ela havia se apaixonado por um palhaço de um circo que havia passado pela sua cidade. Mas, por não querer desagradar os familiares se resignou e não lutou pela sua felicidade. 

Maria não aceitou em carregar consigo também aquela dor. E mesmo a contragosto do marido alcoólatra e violento permitiu a saída do filho. Mas em seu íntimo Maria alimentava a esperança de que seu filho não se desse bem na “capitar” São Paulo.

Mas, Maria foi traída mais uma vez pelo destino e seu filho não só se formou como também o retorno de Marino conturbou o ambiente familiar. A impulsividade de Marino em atingir seus objetivos havia crescido com os estudos e acirrou ainda mais a inimizade de alguns familiares contrários.

Aliás, demorou para que Maria entendesse o que seria necessário para a terra era dela e seus parentes fosse realmente deles. E que para isso todos teriam que conversar com o Direito. Maria era ressabiada com a Justiça há tempo, pois esta havia retirado a terra de outros vizinhos. 

Maria lembra que a maioria dos desapropriados acordou assustada de manhãzinha com o ronco das máquinas de terraplanagem e trabalhadores da prefeitura refazendo o limite das propriedades para a construção de novos conjuntos habitacionais.

Até agora Maria não engoliu a justificativa de que Marino havia sido preso por desacato à autoridade. Não há quem lhe tire da cabeça que os "grandões" querem tirá-lo de circulação para impedir que seus atos pudessem impedir as ações arbitrárias da prefeitura em direção ao seu quilombo.

Após a malsucedida invasão do seu quilombo pelos agentes da prefeitura Maria e seus familiares ganharam notoriedade. Desde o momento que a sua história chegou ao Jornal Nacional ela não teve mais trégua. Afinal depois da Laja Jato esse foi a assunto mais perturbador que havia surgido.

Há meses que Maria deixou de lado a sua enxada como de costume para fazer vigília na frente da prefeitura para levantar um cartaz com a caligrafia de um dos seus netos clamando por justiça. Aos poucos sua atitude atraiu curiosos e fã tanto do Brasil quanto do Mundo.

Maria ficava impressionada com as aulas públicas que ela ouvia de doutores e líderes de causas sociais que se solidarizaram com a questão. Não havia um minuto em que ela era convocada por uma equipe de repórteres para que ela desse uma entrevista. 

De repente, ela sentiu que não fazia feio perante as câmeras, pois sempre havia prestado atenção na atitude calma e firme de Marino. Muitos dos apoiadores e Marino convenceram que algumas passeatas nas ruas principais da cidade ajudariam a causa.

A mãe de Marino ganhou destaque internacional e virou xodó da mídia por meio de longas reportagens no New York Times, na Paris Match, na BBC etc. Mais uma vez o mundo civilizado puxava a orelha do Brasil em relação ao seu descaso com os direitos sociais. 

No mundo virtual a coisa não foi diferente, várias moções eletrônicas circulavam exigindo justiça. Contudo, Marino teve o azar do caso ter caído nas mãos de um juiz que também era seu inimigo. E esta autoridade, insana demorava na análise dos pedidos de relaxamento da prisão.

Contudo, Maria não revelou para ninguém a dor que sentiu em seu coração quando viu aquele corpo estendido naquela gaveta do IML. Ela segurou a avalanche de dor que queria estourar dos pícaros da tristeza. O seu orgulho manteve seu semblante com a expressividade mais neutra possível. 

Em segredo Maria ouvia vozes incorpóreas que lhe diziam que ela mais do que nunca, deveria prosseguir no trabalho de reconhecimento da tua terra. para  que a morte de Marino não fosse algo em vão. O belo rosto do filho parecia lhe transmitir aquela notícia que ele não pode dar em vida.

Enquanto isso, um dos funcionários do IML lia no ecrã do telefone móvel a notícia de que um Ministro havia saído da cidade há instantes e que no roteiro original ele entregaria pessoalmente o documento que reconhece finalmente o quilombo do Cafundó. 

Mas, por algum motivo o roteiro havia sido mudado e que o prefeito havia recebido a demarcação do seu quilombo. Contudo, sem entrar em detalhes sobre a situação dos demais processos que, pelo jeito, continuarão sendo sufocados pelas vontades de políticos comprometidos com interesses escusos. 

domingo, 9 de julho de 2017

Sarau da Superação na Biblioteca Camila Cerqueira César dia 12/08/17

Olá, amigo(a)!


Estou bem, graças a Deus e felicíssimo por estar completando 05 anos de controle de um ex-tumor. Tanto que decidi praticar um pouco de gratidão oferecendo a você o Sarau da Superação.

Ele acontecerá no dia 12/08/17, das 13 h às 16 h. na Biblioteca Pública Municipal Camila Cerqueira César, localizada na rua Waldemar Sanches, 41 (Referências: Caixa D´água ou Parque da Sabesp no Jardim Bonfiglioli. Esta rua é curta e fica entre as ruas Ministro Adauto Cardoso e Coronel Ferreira Leal), São Paulo, SP.

Quero retribuir de forma poética a todos (as) que de alguma forma torceram e me apoiaram desde então. Vamos ter um momento para trabalhar poeticamente nossos desafios, medos, emoções de estarmos vivos.

Você pode começar superando a timidez e levar neste dia um poema de sua autoria, ou qualquer outra expressão artística e cultural, ou então, a sua simples presença como ouvinte.


Gratidão por espalhar este convite junto aos teus contatos e que continuemos com Deus.


Carlos

terça-feira, 20 de junho de 2017

Resenha do livro Mulher Moderna Tem Cúmplice de Claudia Canto

Olá, amigos e amigas internautas!

Demorei mais novamente apareço aqui para postar a minha resenha do livro da minha amiga, escritora, jornalista, atriz Cláudia Canto. No ano passado li o seu  livro Mulher Moderna Tem Cúmplice publicado pela Edicon. Boa leitura e sugiro que leiam o original também.



A autora narra esta história por meio de um alter ego, Ricardo um psicólogo renomado, um típico classe média alta, realizado profissionalmente, porém introspectivo e infeliz no amor. Ele se apaixonou perdidamente por Stela sua paciente que está a procura de respostas para a sua vida emocional atribulada. 

Por caprichos do imponderável, Ricardo sem saber atende em sua clínica o namorado de Estela, Gustavo. Desde o primeiro atendimento o terapeuta sabia que Estela era o grande amor de sua vida. Mas timidez e insegurança o impulsionam a manter a paixão em segredo e a adotar um comportamento voyeurista.

Stela foi presa nos calabouços de uma paixão vulcânica por Gustavo. Tanto lá quanto cá ela sofre calada e sem saber o por quais motivos ela não se liberta. Prazer e dor pairam nos horizontes cinzas desta jovem. O medo é o melhor amigo desta mulher que manda e desmanda em seus desejos.

A violência contra a mulher é mais comum do que pensa na realidade brasileira. Engana-se quem pensa que esta circunscrita apenas nas camadas baixas da sociedade. Os noticiários diariamente mostram casos e mais casos de violência contra a mulher perpetrados pelos seus parceiros independente do tamanho da conta bancária e dos iates.

Pode até parecer chavão o que vou dizer a seguir, porém está longe a superação desta violência. Às vezes por medo, dependência e vergonha as agressões sofridas são escondidas por anos a fio. Quando a situação se torna desgovernável é muito provável que ela leve até a morte da abusada.

Ao que tudo indica as últimas palavras desta obra, o futuro nos reservas muitas e muitas páginas de "Stelas" que são manchadas de sangue. A não ser que um dia finalmente paremos de enxergar a violência da mulher como algo banal. E que uma relação saudável é construída com muito amor e com respeito mutuo entre os parceiros.